17 de set de 2010

Pro meu leãozinho...

Ele é o meu leãozinho... só meu.
Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão raio da manhã;
Arrastando o meu olhar como um ímã...
O meu coração é o sol, pai de toda cor;
Quando ele lhe doura a pele ao léu...

(Caetano Veloso)

15 de set de 2010

Do início da jornada

Chegamos a um mês. Mais precisamente 1 mês e 19 dias. Até hoje não tive um ciclo de sono com mais de 4 horas. Ficaram estrias na barriga e 10 Kg restantes pra perder, muita flacidez e celulites. Os bicos do seio estão machucados. Tenho olheiras enormes e frequentemente, em casa, ando totalmente largada com os seios dependurados. Não consigo dormir com meu marido e optei por trancar a faculdade. Tenho que ficar revezando entre a casa da minha tia e da minha mãe pra poder conseguir almoçar, tomar banho e fazer xixi, porque sozinha com ele em casa não dá. Estou absurdamente feliz e cansada. Quanto a ele, sofreu muito com gases e cólicas, mas muito mesmo, de me fazer chorar e de não conseguir dormir. Por mim, sentiria tudo no lugar dele. Acompanha tudo com os olhinhos e uma audição atenta, tem uma força incrível e adora segurar os nossos dedos com a mão. Faz um biquinho tão engraçado quando está cagando e tem que ficar um tempão em pé no colo depois que mama pra não golfar. Por falar em colo, ultimamente melhorou dos gases, mas só quer colo (as avós fazem isso o tempo todo). Não ri tão facilmente, mas abre as canjicas quando faço vrummmmmmmm. Adorou a cadeira de balanço que foi do bisavô dele. É lindo e continua careca, mas agora nasceu uma faixa rala de cabelo só na parte de trás. Perdeu muitas roupas e está vestindo M, quase G. Detesta ficar no carrinho, adora o móbile do berço. Adora o banho e se pudesse nadaria na banheira. Continua chorando pra trocar fraldas, e como caga e mija! Não canso de admirá-lo e valorizar as conquistas de cada dia, mesmo querendo deixá-lo com a minha mãe e sair correndo quando ele quer peito toda hora.
Ando meio enfezada com essa pseudo naturebice que está em vigor hoje em dia. Nada contra as opções das pessoas, mas tudo contra fazerem você se sentir péssima por dar chupeta ou complemento alimentar com leite artificial (no meu caso, devido à infecção por resto de placenta, estava produzindo leite insuficiente e o bichinho gritava de fome), a chupeta foi opção mesmo, não é toda hora, e ele se acalma. Uso fraldas descartáveis sim! Claro que me preocupo com o meio ambiente e nos dias de calor uso fralda de pano nele, mas morreria se tivesse que, além de tudo, ficar lavando as fraldas... aff! Remédio? Dei sim, dimeticona para gases mas junto com a homeopatia. Adoro a pediatra dele porque ela fala que não podemos ser "xiítas", precisa haver um meio termo e qualidade de vida pra mãe também. Fui criada com chupeta, mamadeira, peito, legumes, verduras, remédios, chás, ervas, alimentos industrializados, de tudo um pouco. Odeio essa nova ditadura natureba que no fundo tenta fazer a consciência da mãe parecer mais leve, afinal, o melhor pro filho é o que ele precisa, não o que a mãe julga que é melhor por não conter conservantes...

20 de ago de 2010

De Pedro


Amor infinito, inexplicável, inesgotável. E só tem 3 Kg. Tudo de mim cabe em 51 cm. O maior amor do mundo. O tempo é pouco, choros, fralda, mamadas, golfadas e olhinhos infantis mirando meu coração. O produto da soma de dois numa explosão de amor. Pablo + Dani = Pedro.



De repente a dor
De esperar terminou
E o amor veio enfim
Eu que sempre sonhei
Mas não acreditei
Muito em mim

Vi o tempo passar
O inverno chegar
Outra vez mas desta vez
Todo pranto sumiu
Um encanto surgiu
Meu amor

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby

Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava, baby

Sou feliz agora

(Você - Tim Maia)

21 de jul de 2010

Da proximidade da chegada



Oração a Nossa Senhora do Bom Parto

Ó Maria Santíssima, vós,
por um privilégio especial de Deus,
fostes isenta da mancha do pecado original,
e devido a este privilégio
não sofrestes os incómodos da maternidade,
nem ao tempo da gravidez e nem no parto;
mas compreendeis perfeitamente
as angústias e aflições das pobres mães
que esperam um filho,
especialmente nas incertezas do sucesso
ou insucesso do parto.
Olhai para mim, vossa serva,
que na aproximação do parto,
sofro angústias e incertezas.
Dai-me a graça de ter um parto feliz.
Fazei que meu bebê nasça com saúde,
forte e perfeito.
Eu vos prometo orientar meu filho
sempre pelo caminho certo,
o caminho que o vosso Filho, Jesus,
traçou para todos os homens,
o caminho do bem.
Virgem, Mãe do Menino Jesus,
agora me sinto mais calma
e mais tranquila porque já sinto
a vossa maternal protecção.
Nossa Senhora do Bom Parto,
rogai por mim!
Amém.

27 de jun de 2010

Do preto e branco

Eu ando meio preta e branca, talvez com variações sépia. Sigo variando nesta restrita palheta de cores...

Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar AMOR

19 de jun de 2010

Da colher, por Hermione

Quem sabe o príncipe virou sapo?

16 de jun de 2010

Da modernidade e da maternidade


Essa vida de mulher "moderna" é extremamente cansativa. Nunca quis tanto deixar de ser "moderna" quanto agora. Me encontro no terceiro trimestre de gravidez e por opção ou falta de, continuo indo à faculdade, dando aula, arrumando casa, cozinhando, tentando produzir (na medida do possível) o espetáculo, pintando as unhas, fazendo carinho no marido, lendo uns textos sobre inclusão na educação, pegando ônibus ou trem pra ir à alguma reunião, escrevendo texto pra apresentação dos alunos, passando roupa, pensando no parto do Pedro e nos trabalhos finais da faculdade.
É tão maravilhoso estar grávida e nesta reta final da gestação, a única vontade que dá é ficar em casa lendo Harry Potter e curtindo a gravidez. Acho que serei discriminada pela modernidade por eleger a maternidade.

p.s: o desenho acima foi uma colega quem fez, enquanto assistíamos aula.

6 de jun de 2010

Da proximidade da chegada


Aff... dá um medo, uma ansiedade, uma alegria, uma insegurança, um tudo ao mesmo tempo. Cheguei aos meus 7 meses de gestação e a proximidade da chegada do Pedro tem me tirado o sono. Dúvidas mil, insegurança... Já começo a pensar o quanto vou sentir saudades de estar grávida, do meu pequeno aqui dentro, mexendo... Pensar que ele vai crescer, virar um homem, casar, seguir sua vida... Hoje em dia admiro muito minha mãe ao lembrar da teoria dela (que ela mesma custava a aceitar mas disfarçava bem) nós não criamos os filhos pra gente, mas para o mundo. E em seguida lembro da minha tia contando o quanto ela chorou quando casei e saí de casa. Entre artigos, sites, textos e livros sobre parto, episiotomia, maternidade, gestação e preocupada se o enxoval está mesmo atendendo às necessidades do Pedro me pego com um sorriso bobo na cara de quem espera pra abrir o pacote de um grande presente.


11 de mai de 2010

Do cadeado de mim


Tenho andado calada, sem paciência, cansada e fechada em mim. Segundo a Saga do Herói do Campbell ser mãe é um feito heróico, e todo herói em sua jornada para seu feito heróico segue uma típica jornada: partida, revelação e retorno, e a maioria deles sempre se isola, precisa encontrar a si mesmo pra buscar a semente que vai potencialmente gerar algo novo e depois retornar. Talvez seja por isso. Não que eu queira ser uma heroína, mas enfim... essa exposição do Campbell leva algum tempo e não me sinto competente para expor numas poucas linhas, acho que nem em muitas.
Tenho fugido das pessoas, por motivo nenhum se não o de me encontrar. Tenho ficado em mim, fugido pra mim mesma, tenho sido meu refúgio e sinceramente tenho me aturado. Acho que tenho sentido saudades da intensidade, a intensidade que eu mesma exigia de mim. Mas é uma questão de mim para comigo mesma. Não tenho tentado me burlar, estou em mim e ainda fechada pra visitas.
Era fogo, virei água e agora sou ar: existo mas não quero que me vejam, é quase isso... Estou nada precisa. Tenho visto tudo em preto e branco, talvez azul só por causa do Pedro. Estou em mim, num movimento parado. E mesmo assim, continuo livre.





Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise.
(Carla Bruni)

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
(Álvaro de Campos)

23 de abr de 2010

Da canjica e de Ogum



Sim, eu chorei porque queria comer canjica. Assumo. Parece ridículo, mas não existem palavras pra definir o que é um desejo repentino assim do nada, vindo sei lá de onde, banhado por hormônios. Eu ria e chorava porque racionalmente me sentia ridícula em chorar de desespero pela impossibilidade de uma canjica. Meu marido tentava me consolar se oferecendo pra ir até a feira de São Cristovão numa terça quase de madrugada, ele, sem sucesso, tentava segurar o riso tentando compreender e dar a devida importância àquela cena. Por fim, fiquei com pena dele sair numa hora daquelas em busca de uma canjica quente com coco ralado e cravo. Até hoje não consegui comer a canjica. Eu e Pedro aprendemos a conviver com isso.
Agora as pessoas já me dão lugar no ônibus e os colegas de faculdade sabem que estou grávida, somado a isso quando passo em frente as lojas de bebês as vendedoras falam: "- Ei, mãe! Vem dar uma olhadinha...". Confesso que isto é muito prazeroso, te dá uma sensação de potência, de reconhecimento. Agora a sua gravidez não é só algo restrito ao exame bthcg ou às ultras, mas algo compartilhado, reconhecido... É bom...
Me sinto tão plena com meu casamento e com a maternidade, que as modernas (como eu) que me perdoem, mas é como se a vida ficasse completa. Tem horas em que me pego tensa por saber como vou dar conta de filho, casa, faculdade e trabalho. Quanto à isso só vivendo pra saber. O casamento e o comando de um lar também eram um indecifrável mistério pra mim, e hoje continuam sendo, só que menos indecifráveis.
E pra finalizar: Salve Jorge!
Ogum em seu cavalo corre
E a sua espada reluz
Ogum em seu cavalo corre
E a sua espada reluz
Ogum, Ogum Megê
Sua bandeira cobre os filhos de Jesus
Ogunhê


12 de abr de 2010

Das metas

Tão difícil andar em linha reta. Tão difícil manter as metas. Tão difícil ser concreta.

"Meu coração não se cansa

De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos sem dizer adeus" (Caetano Veloso)


Nesta vida, em que sou meu sono,
Não sou meu dono,
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.
(Fernando Pessoa)

24 de mar de 2010

De Pedro

Cada movimento, cada chute é um sorriso. Os primeiros sorrisos destinados à vida. A vida que começa, que ganha pulso, força, cadência e por que não consciência? O mais lindo são os movimentos quando falo com ele. Sei que ele me escuta, e ele sabe que o escuto. Nos falamos e sentimos todo o dia, o dia todo. Ele sabe de mim, e eu tento saber dele. Trocamos amor e ar o dia inteiro. Ele sente e sabe. Ele já sente e já sabe. Sabemos unicamente de amor. Meu melhor companheiro, amigo, presente. Essa criaturinha cheia de luz que me preenche de todos os jeitos, e que mais do que nunca, sempre me lembra, entre um chute e outro, que a vida mora em mim. Tenho todo o dia um milagre acontecendo aqui dentro. Deus agindo nas minhas entranhas. Somos um do outro, não só por cordões, mas por puramente amor.

Como ocorre com o poema
tem seu passaporte carimbado para todos os estados
de minha alma, de meu espírito
Você que é onírico, sábio vassalo
Me tiraniza e perde a fala, o fôlego, o faro
Me organiza e ganha o futuro
e ainda segura o jogo duro de viver independente de minha respiração
Espião de meus bastidores
Olhou minhas entranhas enquanto virava ser humano
quieto dentro de mim como as palavras antes de serem poesia...
(Elisa Lucinda)

12 de fev de 2010

O mundo

Por que voce me trata mal
se eu te trato bem?
Por que você me faz o mal
se eu só te faço bem?

O mundo está virado, ou eu é que ando com os pés no teto. Bem provável. Depois de presenciar uma briga na fila do mercado entre dois homens que repercutiu em mais três brigas só porque um senhor quis impedir a primeira citada, pude me certificar o quanto o mundo anda louco, cruel, egoísta, e outros adjetivos nada bacanas. A culpa é minha, a culpa é nossa. Egoísmo todo mundo tem dentro, um pouco de crueldade também. Mas confesso que sei menos ser cruel do que ingênua. Um monte de coisas em que eu acreditava começam a se revelar pura ilusão. É sempre assim, as pessoas que você mais ama e em quem você mais acredita são as que mais te ferem. Talvez porque tenham muito mais poder, porque realmente importem pra você. Desrespeitada, chateada, descrente, abalada. Somos parte do todo, sou parte de mim. Não sinto vontade de retribuir atitudes ruins que me chegam com atitudes ruins, não mais. Já senti muito. Seria uma pequena evolução nessa escala louca de desumanidade?

"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito." (Shakespeare)

14 de jan de 2010

Do baú

Tenho alguns anos. Passei por algumas coisas, apesar dos poucos anos. A vida passa por mim a cada dia. Estou nos 23. Vi coisas. Derramei lágrimas e abri sorrisos. Mudo um pouco ou mudo muito. Troquei a preferência de reticências por pontos. Trago um milagre dentro de mim. Tenho rancores, não muitos, alguns. Saudade da infância tenho todo o dia. Meus seios cresceram e ganharam majestade. Lembranças me saudam vez ou outra, mando lembranças de lembrança, mas nunca saberei se chegam. Tenho livros novos fechados. Há um Neruda a minha espera. Especificamente hoje sinto uma fome insaciável. Faço planos para o futuro a toda hora. Tenho preguiça do presente.
Me comovo com as desgraças e com o descuido com o planeta. Queria estudar mais o português. Sinto falta de dançar. Espero aprender mais sobre tarô, culinária, música, astronomia e psicologia. Gosto de música e vestidos de tempos antigos. Gosto de música e vestidos folclóricos. Sonho muito. Geralmente me lembro dos sonhos. Tenho muitos sapatos mas gostaria de ter mais do que tenho. Sou muito saudável. Acredito muito em Deus. Não gosto de água fria nem no calor. Troquei Lenine por Maria Gadú ultimamente. Amei muito. Outras vezes nem tanto. Amo muito. Aproveitei muitas noites com os amigos em diversão "do bem". Hoje também sou dona de casa. Amo meu trabalho. Vivo de arte. Às vezes não dá, mas mesmo assim vivo. Acredito em coisas que nunca vi. Geralmente não acredito naquilo em que não vejo. Queria ter mais tempo pros meus amigos. Queria usar ponto final em coisas que deixei pra trás. Queria usar ponto final em coisas que me deixaram pra trás. Choro com filmes. Adoro animais. Detesto pombos. Sei que sou boa no que faço, mas 10 minutos são suficientes pra eu mudar de idéia. Tenho medo da morte dos meus pais e das pessoas que amo. Duvido muito da vida. Creio em milagres. Dizem que tenho um gênio muito forte. Contudo, dizem que sou inteligente. Gosto de apreciar estrelas. Me desespero fácil. Tenho muita fé. Só gosto de roupas que deixem minhas pernas de fora. Adoro cachecóis no inverno. E óculos escuros. Me entrego aos livros despudoradamente, mas só quando são suficientemente atraentes. Sempre tenho a sensação que não uso 1/3 do meu vocabulário. Existem muitas coisas que não vou esquecer nunca.Sei tanto sobre o outro como não sei de mim.