4 de jun de 2015

Mar revolto

Eu sou meio mar
onde as vontades e desejos
vem e vão num movimento
gêmeo das ondas.
Os meus desejos são imensos
e não cabem em mim.
A mim mesma transbordo.
Como a Terra, pareço não comportar
minhas próprias águas.
Ora mar revolto espancando as pedras
que minha razão simboliza;
Ora calmaria pra acalantar meu próprio eu
num abraço doce pra conter tudo que represento.
E assim como as águas da Terra,
os desejos e as vontades em mim
se extinguem.
Se revelam facilmente esgotáveis.
E das minhas águas de desejos e vontades,
podem-se dizer inutilizáveis.

(D.Z.)

 

12 de out de 2012

Do vazio



Está faltando uma coisa em mim
E é você amor, tenho certeza, sim
Nossos momentos foram algo mais
Sem eles hoje eu não tenho paz

Eu vou parar num canto
E me perguntar se vai compensar
Todo esse pranto que carrego
E eu nego que eu dou
Ah! Esse amor...
Está fazendo tanta falta no meu mundo
Vou me perguntar: está?

Está faltando uma coisa em mim
E é você amor, tenho certeza, sim
Nossos momentos foram algo mais
Sem eles hoje eu não tenho paz

Eu não sou de aço
Pois o laço forte,
Um convívio bom tem seu lugar
E, como a vida passa,
Me resta somente tomar a decisão
De levantar o pano do meu barco
E navegar juntinhos.


16 de set de 2012

Do nó

Eu tinha um nó de linha
Eu tinha uma rosa que era minha
Eu tinha um boto azul royal
Eu tinha, eu tinha...
Eu tinha um dia de esquecer
Eu tinha, e não fazia nenhum mal.
Eu tinha uma história que era minha
Eu tinha um dia de passar
um dia de ficar
um dia de cantar
um dia de chorar
um dia de florescer
E pra ninguém nunca quis vender
Eu tinha um livro aberto
tinha um futuro incerto
tinha um peito de aquecer
e de esfriar
Tinha esquecimento
tinha saudade
tinha e era minha.
Só minha.
Eu tinha, eu tinha...
E o nó de linha, eu tinha, eu tinha...
e o dia de passar continuou
o livro que era aberto, se fechou
O boto azul royal fugiu com a flor
pra um mar de navegar
Mas eu tinha, eu tinha...
E o dia de cantar floresceu
A saudade escureceu.
A palavra esfriou
Minha face enrubesceu
Eu não tardei a lembrar o que eu tinha
era minha, era minha...
Eu tinha, juro que eu tinha!
E cá ficou
um único nó de linha.
(D.Z.)

27 de ago de 2012

De Prometéia


Padeço talvez do mesmo mal de Prometeu: tenho loucura por humanidade.
Roubei o fogo, muitas vezes. E assim como uma digna Prometéia, me faço de compartilhar.
E do mesmo modo, fomos acorrentados.
E são meus medos e frustrações que devoram meu fígado toda manhã.
De noite, os sonhos e esperanças o ressucitam, pra sobrevivência dos restos da minha felicidade.
E te digo sinceramente, só não roubo mais fogo, porque as correntes me impedem.

ACORRENTADO
Sou elo 
Entre elos
Dormente.
Há muito 
Perdi 
O sentido de
Ser corrente. 
(J.J. Leandro)


15 de jun de 2012

Do desasossego


Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)

10 de jun de 2012


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

(Convite - Lya Luft)








7 de jun de 2012

De tudo que não foi
que não devesse ter sido
Agradeço
por ter sumido no vento
Ao relento ter ficado
E deixar ir embora o que
sempre devia ter ido
Só você não viu
o samba que deu
o poema que nasceu
a lágrima que floresceu
a dor que cresceu
aquilo que não era eu
Agradeço
tão feliz que sou
livre estive pra encontrar o que era meu
e das linhas que você não leu
só tenho a devorar
o gosto de passado
que esqueço
e enalteço
por ter sido o caminho
traçado pra chegar ao meu verdadeiro ninho.
De aurora e estrela cadente que você não viu passar
eu engoli cada uma
engoli a aurora inteira
e de inocente besteira você julgava o meu amor
amor mesmo encontrei depois
amor que acendeu o riso
iluminou estrelas apagadas
achou a verdade em mim
do que era de mim
e fez de mim brotar mais amor
te agradeço.
Tão livre pra ser quem eu sou
Tão livre pra viver de amor.
(D.Z)

http://www.youtube.com/watch?v=TlNNIL6_P5I