11 de mai de 2010

Do cadeado de mim


Tenho andado calada, sem paciência, cansada e fechada em mim. Segundo a Saga do Herói do Campbell ser mãe é um feito heróico, e todo herói em sua jornada para seu feito heróico segue uma típica jornada: partida, revelação e retorno, e a maioria deles sempre se isola, precisa encontrar a si mesmo pra buscar a semente que vai potencialmente gerar algo novo e depois retornar. Talvez seja por isso. Não que eu queira ser uma heroína, mas enfim... essa exposição do Campbell leva algum tempo e não me sinto competente para expor numas poucas linhas, acho que nem em muitas.
Tenho fugido das pessoas, por motivo nenhum se não o de me encontrar. Tenho ficado em mim, fugido pra mim mesma, tenho sido meu refúgio e sinceramente tenho me aturado. Acho que tenho sentido saudades da intensidade, a intensidade que eu mesma exigia de mim. Mas é uma questão de mim para comigo mesma. Não tenho tentado me burlar, estou em mim e ainda fechada pra visitas.
Era fogo, virei água e agora sou ar: existo mas não quero que me vejam, é quase isso... Estou nada precisa. Tenho visto tudo em preto e branco, talvez azul só por causa do Pedro. Estou em mim, num movimento parado. E mesmo assim, continuo livre.





Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise.
(Carla Bruni)

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
(Álvaro de Campos)