23 de abr de 2009

Atitude Curupira

Há uma coisa chamada amor. Uma coisa que não por acaso rima com dor. Deveria rimar com medo. Há um amor cá dentro. Depois de muito tempo, um amor de verdade. Iluminado como uma lâmpada acessa com medo de queimar e deixar tudo escuro de novo. Mas mesmo no claro há um fantasma, ou uma idéia de fantasma, que às vezes nem é um fantasma, mas a idéia dele existir já assusta. O fantasma da idéia no escuro. Uma idéia personificada de passado. Quem disse que amar é estar acesso no claro? E eu tenho medo. Estou acessa, mas hoje deu medo da idéia da fantasma personificada de passado com olhos acessos e seios. Deu medo da idéia de futuro no escuro que mal iluminado se deixa pressentir de forma feliz. Deu medo de mim, dele, de nós, das coisas sobre as quais não temos controle e especialmente das que temos. Deu medo da tão perigosa distração, que por excesso de perfeccionismo, neurose, traumas anteriores ou puro pessimismo percebi crescer nos últimos dias. Essa maldita distração que em maiores doses significam tantas coisas, entre elas o fim do interesse e da paixão. Coisas bobas, ínfimas mas que me dão medo. Amo e tenho medo. Tenho medo e amo. Amo porque tenho medo. Tenho medo porque amo. Me entrego com o risco certo de me dilacerar. Mas se vale a pena, que seja. Quem disse que o jogo é feito o claro e que a luz da lâmpada por mais intensa que seja é suficiente pra clarear tudo? É, ninguém disse. Mas essa merda dessa racionalidade, essa desconfiança e essa sensação de não ser boa o suficiente por um triz não me deixam desligar a chave de energia. Às vezes sinto saudades de ter o pé no chão e atrás (atitude Curupira), mas penso que escolher uma coisa é abrir mão de outras. Nesse caso, de ser feliz.