27 de jun. de 2010

Do preto e branco

Eu ando meio preta e branca, talvez com variações sépia. Sigo variando nesta restrita palheta de cores...

Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar AMOR

19 de jun. de 2010

Da colher, por Hermione

Quem sabe o príncipe virou sapo?

16 de jun. de 2010

Da modernidade e da maternidade


Essa vida de mulher "moderna" é extremamente cansativa. Nunca quis tanto deixar de ser "moderna" quanto agora. Me encontro no terceiro trimestre de gravidez e por opção ou falta de, continuo indo à faculdade, dando aula, arrumando casa, cozinhando, tentando produzir (na medida do possível) o espetáculo, pintando as unhas, fazendo carinho no marido, lendo uns textos sobre inclusão na educação, pegando ônibus ou trem pra ir à alguma reunião, escrevendo texto pra apresentação dos alunos, passando roupa, pensando no parto do Pedro e nos trabalhos finais da faculdade.
É tão maravilhoso estar grávida e nesta reta final da gestação, a única vontade que dá é ficar em casa lendo Harry Potter e curtindo a gravidez. Acho que serei discriminada pela modernidade por eleger a maternidade.

p.s: o desenho acima foi uma colega quem fez, enquanto assistíamos aula.

6 de jun. de 2010

Da proximidade da chegada


Aff... dá um medo, uma ansiedade, uma alegria, uma insegurança, um tudo ao mesmo tempo. Cheguei aos meus 7 meses de gestação e a proximidade da chegada do Pedro tem me tirado o sono. Dúvidas mil, insegurança... Já começo a pensar o quanto vou sentir saudades de estar grávida, do meu pequeno aqui dentro, mexendo... Pensar que ele vai crescer, virar um homem, casar, seguir sua vida... Hoje em dia admiro muito minha mãe ao lembrar da teoria dela (que ela mesma custava a aceitar mas disfarçava bem) nós não criamos os filhos pra gente, mas para o mundo. E em seguida lembro da minha tia contando o quanto ela chorou quando casei e saí de casa. Entre artigos, sites, textos e livros sobre parto, episiotomia, maternidade, gestação e preocupada se o enxoval está mesmo atendendo às necessidades do Pedro me pego com um sorriso bobo na cara de quem espera pra abrir o pacote de um grande presente.


11 de mai. de 2010

Do cadeado de mim


Tenho andado calada, sem paciência, cansada e fechada em mim. Segundo a Saga do Herói do Campbell ser mãe é um feito heróico, e todo herói em sua jornada para seu feito heróico segue uma típica jornada: partida, revelação e retorno, e a maioria deles sempre se isola, precisa encontrar a si mesmo pra buscar a semente que vai potencialmente gerar algo novo e depois retornar. Talvez seja por isso. Não que eu queira ser uma heroína, mas enfim... essa exposição do Campbell leva algum tempo e não me sinto competente para expor numas poucas linhas, acho que nem em muitas.
Tenho fugido das pessoas, por motivo nenhum se não o de me encontrar. Tenho ficado em mim, fugido pra mim mesma, tenho sido meu refúgio e sinceramente tenho me aturado. Acho que tenho sentido saudades da intensidade, a intensidade que eu mesma exigia de mim. Mas é uma questão de mim para comigo mesma. Não tenho tentado me burlar, estou em mim e ainda fechada pra visitas.
Era fogo, virei água e agora sou ar: existo mas não quero que me vejam, é quase isso... Estou nada precisa. Tenho visto tudo em preto e branco, talvez azul só por causa do Pedro. Estou em mim, num movimento parado. E mesmo assim, continuo livre.





Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise.
(Carla Bruni)

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
(Álvaro de Campos)

23 de abr. de 2010

Da canjica e de Ogum



Sim, eu chorei porque queria comer canjica. Assumo. Parece ridículo, mas não existem palavras pra definir o que é um desejo repentino assim do nada, vindo sei lá de onde, banhado por hormônios. Eu ria e chorava porque racionalmente me sentia ridícula em chorar de desespero pela impossibilidade de uma canjica. Meu marido tentava me consolar se oferecendo pra ir até a feira de São Cristovão numa terça quase de madrugada, ele, sem sucesso, tentava segurar o riso tentando compreender e dar a devida importância àquela cena. Por fim, fiquei com pena dele sair numa hora daquelas em busca de uma canjica quente com coco ralado e cravo. Até hoje não consegui comer a canjica. Eu e Pedro aprendemos a conviver com isso.
Agora as pessoas já me dão lugar no ônibus e os colegas de faculdade sabem que estou grávida, somado a isso quando passo em frente as lojas de bebês as vendedoras falam: "- Ei, mãe! Vem dar uma olhadinha...". Confesso que isto é muito prazeroso, te dá uma sensação de potência, de reconhecimento. Agora a sua gravidez não é só algo restrito ao exame bthcg ou às ultras, mas algo compartilhado, reconhecido... É bom...
Me sinto tão plena com meu casamento e com a maternidade, que as modernas (como eu) que me perdoem, mas é como se a vida ficasse completa. Tem horas em que me pego tensa por saber como vou dar conta de filho, casa, faculdade e trabalho. Quanto à isso só vivendo pra saber. O casamento e o comando de um lar também eram um indecifrável mistério pra mim, e hoje continuam sendo, só que menos indecifráveis.
E pra finalizar: Salve Jorge!
Ogum em seu cavalo corre
E a sua espada reluz
Ogum em seu cavalo corre
E a sua espada reluz
Ogum, Ogum Megê
Sua bandeira cobre os filhos de Jesus
Ogunhê


12 de abr. de 2010

Das metas

Tão difícil andar em linha reta. Tão difícil manter as metas. Tão difícil ser concreta.

"Meu coração não se cansa

De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos sem dizer adeus" (Caetano Veloso)


Nesta vida, em que sou meu sono,
Não sou meu dono,
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.
(Fernando Pessoa)